Um dos principais cuidados ao avaliar e tratar um idoso é o diagnóstico de outras doenças físicas que podem estar agravando ou ser mesmo a causa do estado alterado que motivou a vinda ao psiquiatra. Desde doenças cerebrais como Doença de Parkinson, Doença de Alzheimer até doenças sistêmicas como diabetes, mau funcionamento de outras glândulas e inclusive o câncer. Outro cuidado que o psiquiatra deve ter é aquele de que o idoso costuma tomar uma variedade de remédios, por exemplo, para pressão, colesterol, diabetes, anti-inflamatórios, etc. Os remédios psiquiátricos acrescentados deve ser compatíveis com os outros. Também certas medicações podem causar ansiedade e depressão e este efeito deverá ser avaliado. Cuidar do paciente nesta faixa etária exige bastante sensibilidade.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Reforma Psiquiátrica - Um bem ou um mal?
Nem uma coisa nem outra. A chamada Reforma Psiquiátrica, ou reforma do modelo de atendimento psiquiátrico, já que a psiquiatria é uma ciência que evolui a partir dos novos conhecimentos e, portanto, não precisa ser reformada. A base da psiquiatria nas intersecções entre as ciências humanas, a filosofia, a medicina e a bioquímica é suficientemente sólida e não está em questão.
O ponto de mudança e creio que de evolução é a passagem do modelo asilar, onde um grande número de doentes passava a viver em instituições, descartados pelas famílias e pela sociedade, maltratados e sem qualquer esforço de reintegração à cidadania. Estabeleceu-se uma indústria vivendo a partir da loucura e verbas públicas eram consumidas num modelo de assistência deplorável.
Entretanto, a doença mental existe e se manifesta independentemente do modelo social em vigor. Os surtos psicóticos, as recaídas e a epidemia de drogas como crack, oxi, etc, não perguntam se a sociedade é contra ou a favor do hospital psiquiátrico, mas urgem em serem atendidos. Nestes casos agudos, urgentes, que não podem esperar, a falta de leitos psiquiátricos em hospitais fechados é um crime. Não dá para exigir que a equipe de uma enfermaria de um hospital geral seja suficientemente treinada para atender pacientes de alto risco. As vezes constituem um risco para os outros pacientes no hospital. É necessário que existam leitos para os casos graves, amplamente disponíveis quando necessários. Alguns surtos psicóticos chegam a demorar até um mês sob efeito de medicamentos para melhorar. Não podemos manter um paciente neste estado por um mês amarrado numa cama de hospital para que não agrida, não fuja, não entre no quarto de outro paciente que está se recuperando de uma cirurgia ou pegue uma criança na pediatria.
Portanto, também é urgente que se preparem instituições em número de vagas suficientes para que não seja mais necessário agendamento da urgência, mas para que os pacientes sejam prontamente atendidos. Não voltar ao modelo anterior, mas continuar avançando. Saiu de alta, vai para o CAPS, busca a reintegração social. Os casos leves e moderados podem ser atendidos, quando necessário internar, em um hospital geral menos estigmatizante. Assim vamos em frente.
No modelo atual nós da equipe de saúde mental nos sentimos como salva-vidas atirando bóias para pessoas se afogando numa tsunami. E se não nos cuidarmos sucumbimos junto àqueles que pretendemos ajudar.
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