quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Ditador Múltiplo

Enio Resmini

No Egito e agora na Líbia o povo seu uniu, utilizaram as redes sociais, foram às ruas, protestaram, lutaram e expulsaram de seus tronos aqueles ditadores que sugavam seu sangue e os condenavam a viver na obscuridade da incapacidade de se manifestar.  
No Brasil o "ditador" se multiplica em várias cabeças, como aquele monstro mitológico Hidra de Lerna.  Mais difícil de perseguir e matar. Todas as cabeças são parte de uma mesma estrutura, um mesmo corpo. São corporativas. Você como o herói Hércules pode destruir uma delas, mas as outras sobrevivem com o seu poder maléfico e tal qual um réptil, o monstro é capaz de regenerar a cabeça atingida. Depois de algum tempo ela reaparece sem um arranhão sequer.  
Nós no Brasil somos vítimas de uma diferente forma de ditadura, de várias cabeças unidas em um único propósito maligno.  Objetivam destruir nossa capacidade de decidir e tardam a aprovar leis que sirvam ao interesse da sociedade, tais como a reforma política e tributária.  Aquelas coisas óbvias que a imprensa aponta, os especialistas indicam, mas que não acontecem. E não acontecem porque o ditador não deixa. Claro que as várias cabeças do monstro não vão querer reforma política, pois temem o fim dos privilégios e mamatas. É o pior tipo de ditador, pois não conseguimos apontar um culpado, pois são muitas as suas ramificações, cada uma mais dissimulada e ardilosa que a outra. É este ditador múltiplo que impede que o povo tenha mais benefícios sociais, educação de qualidade, saúde bem atendida e saia de trás das grades a que foi condenado (vivemos cercados e gradeados como bandidos). 
A única maneira de impedir que o ditador de muitas cabeças exerça seu mal é atacando-o em bloco, considerando todas as cabeças responsáveis pelo que temos ai não importa a sigla que ostente, pois esta é apenas mais um disfarce. É utilizando o poder do coletivo, pelas redes sociais, indo para as ruas, escrevendo, protestando sem dar trégua, até que estes parasitas votem em favor da sociedade que os elegeu e não no próprio benefício ou de uma minoria. Ou então deixem seus cargos e sejam também responsabilizados criminalmente para que não possam voltar rindo depois de algum tempo. Rindo de nossa cara, nós os palhaços. É minha opinião.