Como sofrem estes que tem síndrome do pânico. Acham que vão morrer, enlouquecer. Psiquiatra assusta mais que fantasma. Não pensam mais em nada. Só no seu medo. Nada mais importa nem interessa. Só o medo. O medo do medo. Tomografia, eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância magnética, endoscopia. Que legal mais um exame. Dizem que não tem nada, mas deve ter havido um erro. Tem que ter algo errado. O coração acelera, a pressão sobe, falta o ar, vem o frio e o calor. Tem que ir noutro médico. Não acharam nada. Não pode ser verdade. O derrame se aproxima, o infarto, o aneurisma e o mal súbito. E mandam o cara para o psiquiatra. Isso é médico de louco diziam. Agora dizem que até dá status. Paroxetina, Rivotril, Propanolol. Funcionam mais que escapulário para católico. Só de olhar a caixinha já aclama. E se não funcionar? Bem, ai quem sabe o problema é espiritual. Tomar uns passes, tirar as obsessões. Rezar. Mas e a fé. Onde é que está? Se agarrar em todos os santos é a regra. Difícil é confiar. Querer se curar sozinho. Ou por um passe de mágica. E o psiquiatra. Até que é um cara legal. Quem sabe algumas sessões de terapia. Falar da vida, dos problemas, do trabalho estressante.
Até que faz bem.
