Hoje atendi muitas pessoas, uns sentindo-se culpados, outros tentando mostrar normalidade. A maioria numa luta de entranhas entre forças construtivas de vida e forças estranhas de destruição própria. Uns chegam dispostos a mudar desde que não mudem muito, outros chegam surpreendidos por uma melhora que não esperavam e não sabem de onde vem. De uma palavra bem dita ou das profundezas da própria alma. Muitos tentam provar que a culpa é de outro. Foram mal cuidados na infância, casaram errado, tiveram maus professores, maus amigos e maus chefes. Certamente ainda vão se queixar de mim. As vezes, vem algum tentando fingir doença para obter vantagem. Doença psicológica não tem sinais clínicos evidentes nem aparece em tomografia.
Mas quem está acostumado reconhece o falso doente. Se não digo nada acham que sou bobo. Mas chego no fim do dia com a sensação de missão cumprida. Penso que ajudei muita gente e conheci um pouco da vida de pessoas interessantes. Amanhã começa tudo de novo. Outros rostos, outras vozes, mas no fundo os mesmos dramas humanos. Trabalho, amor, família, sexo, saúde, amigos e espiritualidade. Sonhos.
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