quarta-feira, 18 de maio de 2011

A escuta total

Chamo escuta total a capacidade que desenvolvemos de escutar e continuar observando sinais emitidos pelos outros mesmo quando estamos falando. Em geral, nas relações humanas precisamos dar uma resposta ao que nos dizem. Se ficarmos somente escutando vamos provocar uma sensação ruim no interlocutor. Ele precisa receber esta resposta. Como a resposta é voltada para ele, falamos não para nós mesmos, mas para o outro. Quando falamos para o outro temos dois objetivos. Primeiro mostrar que compreendemos o que esta querendo dizer. Segundo mostramos como nos posicionamos em relação ao assunto apresentado. Pessoas não falam apenas por palavras e frases consciensiosamente organizadas. Falam por olhares, gestos, sons entre as frases e pelos períodos de silêncio. Escuta total contempla tudo isso e deveria se chamar Atenção Total ao outro. Isto é trabalho e despende energia. A resposta que vamos oferecer só atende as necessidades de ser compreendido do interlocutor se na sua construção considerarmos todas estas mensagens verbais e não verbais emitidas. As vezes, a pessoa fala de um assunto, mas gostaria de falar de outro. A capacidade de perceber estas e outras situações está em prestar atenção aos detalhes que contradizem o que as palavras falam.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O que é esta coisa chamada AMOR?

Na música de Cole Porter "What Is This Thing Called Love" ressalta-se o poder do amor de combater a solidão e aproximar os amantes. Este efeito só ocorre quando o amor é correspondido? E aqueles que amam, são mal tratados pelo objeto de seu amor e mesmo assim continuam amando. Será isto amor? Parece ser mais fácil conceituar o que não é o amor do que o que é o amor. Mas vou tentar assim mesmo. Ao apossar-me do assunto lembro do caráter possessivo de alguns que confundem poder com amor. Será que o amor não é um pouco a soma de tudo isto, O perdão, a posse, a aproximação. Mas tem mais.
Existe a necessidade de amar alguém para ter a ilusão de não estar só. O sentir-se amando possibilita uma ilusão de estar amalgamado, mesclado ou em fusão com a outra pessoa. É quase uma experiência intra uterina de fusão com o corpo e o espírito da mãe.
O amor ao outro pode se opor ao amor a si mesmo. Alguém com baixa auto estima pode ter elevada estima por outrem. Entretanto essa estima elevada somente perdura enquanto este outrem parecer não lhe pertencer completamente, pois a partir do momento em que a outra pessoa passar a ser considerada completamente sua, ela passará a ter a importância igual àquela que dedica a tudo o que é seu(baixa). Passará a tratar o outro como trata a si mesmo.
O amor romântico ou sensual é o que mais nos anima. As vezes começa como forte paixão recíproca que pela intensidade do calor gerado solda duas pessoas para toda a vida. Noutras, quando baixa a labareda se percebem as diferenças e as incompatibilidades. O sexo não depende do amor. É bom mesmo quando é ruim, me disse brincando uma paciente. Mas com o amor ganha em intensidade e atinge as dimensões do êxtase. O sexo fortalece o apego entre as pessoas. Novamente a ilusão de dois serem de novo uma unidade. O sentir-se amado age como um verdadeiro antidepressivo. Protege durante o dia, favorece o sono de noite. Já existem estudos que mostram a liberação de neurotranmissores no cérebro quando estes sentimentos são experimentados.
EM CONSTRUÇÃO....AGUARDE

Amor Materno e Depressão

Tenho encontrado não a falta de amor, mas a incapacidade de a mãe expressar esse amor para os filhos por estar ela mesma deprimida como uma causa da depressão ser transmitida dela para os filhos e assim perpetuando-se geração após geração. A depressão da mãe determina que ela se volte para si, tenha menos energia dirigida para o mundo e menor capacidade de cuidar de outras pessoas. Isto determina uma falha na capacidade de sintonizar com as necessidades dos filhos e perceber as necessidades deles por estímulo e demonstração de afeto fundamentais para o desenvolvimento da auto estima.

sábado, 14 de maio de 2011

30 anos de Psiquiatria

Formei-me em 1981, portanto, este ano completo trinta anos de Psiquiatria.. Mas durante a faculdade fiz estágio e trabalhava com psiquiatria. Fazia plantões em hospitais e clínicas. Dormia duas vezes por semana num hospital psiquiátrico e acordava para atender as crises dos pacientes internados ou com os gritos de alguém chegando de ambulância num surto psicótico. Serviu para perder o medo da doença mental. Foi um tipo de batismo. Pura adrenalina. Com estas experiências antes de me formar posso somar mais quatro anos de convívio com pessoas com transtornos emocionais. Depois veio a formatura e a pós graduação, os pacientes que buscavam terapia, atendimento mais sofisticado, quadros "mais leves", mas mais desafiadores e as supervisões e a análise pessoal que funcionavam como um GPS em meio ao caos. No começo, entusiasmado, acreditava que ia ensinar muito aos pacientes, mas hoje noto que aprendi e ainda aprendo bastante com cada um deles. Talvez muitos nem percebam e digam que aprenderam comigo. São bondosos e me ajudam a tratá-los. Aprendi por exemplo que as pessoas são ao mesmo tempo fáceis e difíceis. Depende da face que nos propusermos a ver. Aprendi também que no universo mental, as vezes, dois mais dois é cinco e pau é pedra. Ai de quem discordar!

O Desejo de Cura


As vezes está escondido, disfarçado em outra coisa, mas se procurarmos bem vamos achar....o desejo de ficar curado. Ele é o mais importante aliado da dupla psiquiatra-paciente. Não se deve menosprezar a sua força.

Terapia ou medicamentos?

Para alguns falar do problema, ser escutado por um psiquiatra, ouvir dele uma interpretação do que acontece e obter uma nova maneira de encarar os fatos pode ser o melhor remédio. O paciente chega angustiado, preocupado ou depressivo e sai da sessão mais tranquilo, esperançoso e alegre. Sempre que posso trabalho assim, contando com o efeito terapêutico deste tipo especial de relação humana. Contudo, existem situações em que, pela sua complexidade, a escuta e a compreensão não são capazes per se de promoverem o esperado alívio. Nestes casos uma medicação pode ser útil. Quando constatada esta ausência de resposta às palavras, os psicofarmacos estão indicados. Ninguém sente ansiedade ou depressão porque quer, portanto, quando está neste estado não consegue controlar seus sentimentos e pensamentos. Se conseguisse esse controle nem precisaria de tratamento. Não precisariam existir psiquiatras, psicólogos, terapeutas, etc. Bastaria um livro de auto ajuda, seguir a risca os conselhos inteligentes e tudo estaria resolvido. Mas na prática, no "chão do consultório", ninguém muda "por decreto".

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Agora é preciso partir para a ação.

Tem gente que já sabe tudo sobre si. Fez terapia, regressão, tomou remédio, rezou na igreja. E já sabe tudo sobre as causas de seu mal. Sou assim porque meu pai...., minha mãe..., riram de mim na escola, é um problema genético, etc. São meras intelectualizações que se repetem anos a fio. Obsessões, TOCs, ruminações, masturbações mentais. Para com tudo isto tchê! Não adianta só ficar pensando, andando em círculos. Acredita em ti. Bota em prática o que estás cansado de saber. Aja. Estudar, trabalhar, ganhar o pão, ir na academia e nas folgas namorar. Chega de desculpas, pô. Tudo isso disse um rapaz que conheço falando consigo mesmo. E a partir daí começou a mudar. Acho que desceu do pedestal de nobreza e foi para a luta como todo o mortal.