sábado, 14 de maio de 2011

30 anos de Psiquiatria

Formei-me em 1981, portanto, este ano completo trinta anos de Psiquiatria.. Mas durante a faculdade fiz estágio e trabalhava com psiquiatria. Fazia plantões em hospitais e clínicas. Dormia duas vezes por semana num hospital psiquiátrico e acordava para atender as crises dos pacientes internados ou com os gritos de alguém chegando de ambulância num surto psicótico. Serviu para perder o medo da doença mental. Foi um tipo de batismo. Pura adrenalina. Com estas experiências antes de me formar posso somar mais quatro anos de convívio com pessoas com transtornos emocionais. Depois veio a formatura e a pós graduação, os pacientes que buscavam terapia, atendimento mais sofisticado, quadros "mais leves", mas mais desafiadores e as supervisões e a análise pessoal que funcionavam como um GPS em meio ao caos. No começo, entusiasmado, acreditava que ia ensinar muito aos pacientes, mas hoje noto que aprendi e ainda aprendo bastante com cada um deles. Talvez muitos nem percebam e digam que aprenderam comigo. São bondosos e me ajudam a tratá-los. Aprendi por exemplo que as pessoas são ao mesmo tempo fáceis e difíceis. Depende da face que nos propusermos a ver. Aprendi também que no universo mental, as vezes, dois mais dois é cinco e pau é pedra. Ai de quem discordar!

2 comentários:

  1. Seu estagio em hospitais psiquiátricos foi sem duvida muito proveitoso e fez do senhor o profissional competente que é hoje, corajoso sem medo de enfrentar qualquer obstáculo. Mas a luta hoje é pelo fechamento dos manicomios, eu entendo que pessoas vivem em estado desumano em hospicios, mas simplesmente feicha-los aumentaria o transtorno, para onde iriam pessoas com crise psicótica grave? querem acomodar todos em hospitais gerais, nem mesmo estagios estão sendo permitidos em hospitais psiquiátricos. Estou agora a interessar-me pelo assunto pelo fato do que vivemos em um único hospital em nosso Município, como o senhor bem sabe, não existe profissional capacitado, hospitais gerais não possui nenhuma estrutura fisica para receber pessoas que precisam de cuidado especiais. Para que esta integração fosse possível no próprio hospital geral se construissem um espaço só deles, mas com liberdade de ir e vir e fazer fisitas em outras dependencia sempre monitorado por um profissional. Espero ter cooperado com alguma coisa. Obrigado um grande abraço Nina

    ResponderExcluir
  2. Para que o hospital geral possa lidar com os quadros psiquiátricos mais graves é preciso mais investimento, menos improvisação e treinamento de profissionais motivados para trabalhar nesta área. Podem ser construídos espaços fechados no hospital geral com maior segurança para pacientes e equipe. que não se pode fazer é transformar o hospital em depósito de pessoas das quais a sociedade tenta se livrar. Assim voltamos ao que era antes e isso não interessa.

    ResponderExcluir