Para alguns falar do problema, ser escutado por um psiquiatra, ouvir dele uma interpretação do que acontece e obter uma nova maneira de encarar os fatos pode ser o melhor remédio. O paciente chega angustiado, preocupado ou depressivo e sai da sessão mais tranquilo, esperançoso e alegre. Sempre que posso trabalho assim, contando com o efeito terapêutico deste tipo especial de relação humana. Contudo, existem situações em que, pela sua complexidade, a escuta e a compreensão não são capazes per se de promoverem o esperado alívio. Nestes casos uma medicação pode ser útil. Quando constatada esta ausência de resposta às palavras, os psicofarmacos estão indicados. Ninguém sente ansiedade ou depressão porque quer, portanto, quando está neste estado não consegue controlar seus sentimentos e pensamentos. Se conseguisse esse controle nem precisaria de tratamento. Não precisariam existir psiquiatras, psicólogos, terapeutas, etc. Bastaria um livro de auto ajuda, seguir a risca os conselhos inteligentes e tudo estaria resolvido. Mas na prática, no "chão do consultório", ninguém muda "por decreto".
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