segunda-feira, 23 de maio de 2011

Inveja. Parte 2: Administrando.

Falo em administrar a inveja, pois não há interesse, nem é possível suprimi-la. Trata-se de um sentimento humano normal. Mas faz-se importante que tenhamos controle sobre ela. O problema acontece quando a inveja assume o controle do nosso comportamento. A pessoa possuída por este sentimento fala ou age inconscientemente movida por ele. Desta maneira passa a desqualificar com palavras aquelas pessoas que exibem alguma forma de vitória, conquista, aquisição, talento, avanço, alegria. Ataca as coisas positivas que os outros demonstrem estar tendo. Demonstra prazer quando denigre o outro, pois nesse momento nivela "por baixo". Depois, agem impulsivamente para compensar o sentimento de inferioridade que a inveja provoca. Desta maneira compram compulsivamente aquilo que não necessitam, mas que serve apenas como um lenitivo, para ostentar e demonstrar superioridade. Desta maneira tenta "nivelar por cima", mas de uma forma pouco eficiente, pois tais aquisições logo deixam de servir para manter a auto estima e o ciclo se repete. 

Dez mandamentos  para administrar a inveja:

1) Aceite e reconheça este sentimento em si. Procure pistas de sua existência, disfarces que ele assume. Por exemplo: a fofoca, a compra compulsiva, a ansiedade quando alguém conta alguma conquista.

2) Aceite que ter este sentimento não desqualifica ninguém, pelo contrário, abre a possibilidade de controlá-lo. É melhor ter consciência, mesmo que no início cause algum sofrimento. Desiluda-se consigo mesmo. Você não precisa ser um super homem nem uma super mulher.

3) Dê-se o direito de não precisar ser o melhor em tudo. Nem o melhor do mundo. Tem muita gente no mundo. É difícil estar sempre vencendo. Com as derrotas também se aprende. Talvez um dia você tenha sido o melhor do mundo para a sua mãe, ou sentiu-se assim. Mas foi para a escola e encontrou dúzias de outras crianças, algumas com aptidões inatas melhores que as suas.

4) Procure em si mesmo seus pontos fortes e os valorize. É mais fácil fazer muito bem aquilo para o que você for mais talhado e de que gosta.

5) Procure se comparar com você mesmo em vez de com os outros. Observe se você evoluiu com o passar do tempo. Tente vencer sua própria "marca".

6) Pense que muito provavelmente os dons e conquistas dos outros foram obtidos através de muito esforço, não" caíram do céu". Portanto, se você se esforçar bastante terá chance de ter suas próprias conquistas. Não fique esperando, vá a luta.  Reclame menos da sorte e aja mais.

7) A maioria das pessoas tem potencialidades semelhantes.  O que as diferencia é que umas acreditam nelas mesmas e outras não.  Na inveja a pessoa se vê muito desnivelada com as outras e não acredita que possa chegar perto delas.

8) Não faça críticas sobre o que os outros conquistaram. A inveja se revela em frases do tipo: "Seu carro é bonito, pena que não é automático".  Tais comentários são "um banho de água fria" no entusiasmo do outro.

9) Uma das coisas que mais provoca inveja é a capacidade de alguém ajudar. Portanto, se for ajudado por outra pessoa, agradeça. Não fique se sentindo inferior por isso Se ela está podendo lhe ajudar é porque alguém a ajudou. Provavelmente, você estando bem, no futuro também vai poder ajudar os outros.

10) Aprenda a desfrutar das conquistas de seus amigos. Fique feliz por ter ao seu lado pessoas fortes e que progridem. Manifeste seu orgulho com a vitórias das pessoas que lhe são próximas. No futuro poderão ser elas a se orgulharem das suas. 

2 comentários:

  1. Ninguém quer admitir que é invejoso(a), mas será que como qualquer outro sentimento a inveja não nos acompanha desde o começo de nossa vida social? seria algum tipo de negação ou repressão que sofremos lá atrás por coisas que abrimos mão ou deixamos de fazer por algum motivo e agora vemos acontecer na vida do outro? Nina

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  2. Muito bem colocado. A inveja é um sentimento que nos acompanha desde o início. Do bebê totalmente dependente dos cuidados da mãe e esta com ela numa fusão "como se fosse um só ser" as graduais e sucessivas separações entre eles está a base da formação de um divisor. Aqueles que mantém a confiança do amor materno e confiam agora em si. E aqueles que percebem uma falta. E sem o alimento da mente - a percepção do amor, sentem-se em desvantagem em todas as posteriores interações sociais. Há portanto na inveja uma fome de amor. Mais tarde este amor é percebido nos cuidados e nos limites.

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